Para muitas mulheres que sonham em viver a maternidade, o diagnóstico de doença reumática ainda vem acompanhado de uma dúvida e de um medo, muitas vezes silenciosos: a gravidez será possível? Isso porque, historicamente, a gestação em pacientes com doenças reumáticas era carregada de incertezas.
Porém, atualmente, a possibilidade de uma gestação saudável para mulheres com doenças como artrite reumatoide, lúpus, síndrome antifosfolípede (SAF), entre outras, é uma realidade cada vez mais presente.
“Os estudos atuais nos mostram que o ponto central para uma gravidez bem-sucedida é o controle da doença antes da concepção.O ideal é que a paciente esteja em remissão ou com baixa atividade da doença por pelo menos seis meses. Isso reduz significativamente os riscos de complicações obstétricas e neonatais como parto prematuro e pré-eclâmpsia”, explica a médica reumatologista, professora e pesquisadora da Universidade de Brasília (UnB), Licia Mota.
Planejamento muda o prognóstico da gestação
A professora explica que durante a gestação, o sistema imunológico da mulher passa por alterações que podem influenciar o curso da doença reumática. “Algumas doenças podem melhorar, outras podem piorar. O período pós-parto também exige atenção, com risco de reativação de algumas condições. Por isso, o acompanhamento de uma equipe médica especializada é crucial”, afirma.
A especialista reforça que o Colégio Americano de Reumatologia (ACR), a Aliança Europeia de Associações de Reumatologia (EULAR) e a Sociedade Brasileira de Reumatologia (SBR), já publicaram diretrizes abrangentes que reforçam a viabilidade de gestações bem-sucedidas com o manejo correto e acompanhamento especializado e multidisciplinar.
“Mulheres que engravidam com a doença em remissão apresentam menor risco de complicações como parto prematuro, pré-eclâmpsia, ativação de novas crises provenientes da doença reumática, entre outras. O controle da atividade inflamatória antes da concepção está associado a melhores taxas de nascidos vivos e redução de complicações maternas e fetais. No Brasil, o Ministério da Saúde orienta que essas pacientes sejam acompanhadas em serviços de pré-natal de alto risco, estratégia que contribui para reduzir a morbidade e/ou a mortalidade materna e neonatal”, ressalta Licia.
Uso de medicamentos exige atenção individualizada
Segundo a pesquisadora, outro ponto vital é a administração das medicações.
“Enquanto alguns medicamentos são seguros durante toda a gestação e a amamentação, outros precisam ser suspensos. Essa decisão é sempre individualizada, considerando o tipo da doença, a atividade inflamatória e o perfil da paciente. Além disso, a decisão deve ser tomada em conjunto com o médico reumatologista e o obstetra, muitas vezes exigindo meses de antecedência para o planejamento da concepção, a fim de manter um tratamento seguro e a doença sob controle durante a gravidez”, detalha Licia.
Fonte: Estado de Minas Gerais.





























