Síndrome crônica é conhecida por lei recente; Foram registrados 57.509 atendimentos ambulatoriais de fibromialgia no estado do Rio de Janeiro em 2025
Quem vê e conversa com Fernanda Chagas, logo enxerga em seu sorriso a vivacidade de uma moça de 32 anos. Gaúcha de Porto Alegre, ela trocou o frio do Rio Grande do Sul pelo clima carioca e pelas oportunidades de trabalho que a cidade oferece. Morando há sete anos no Morro Pereira da Silva, comunidade localizada em Laranjeiras, na Zona Sul do Rio, ela consegue ver a Praia do Flamengo da janela de casa. E mesmo com a praia à vista e com acesso rápido (bastando descer de moto ou até a pé), muitas das vezes esse percurso não pode ser feito nos momentos de lazer, pois as dores despertadas pelo corpo a impede até de sair da cama.
“Meu cotidiano é, literalmente, eu cuidando e analisando tudo o que vou fazer. Tem dias que acordo bem, tem dias que não acordo tão bem, e tenho que ir analisando até onde posso ir. Em dias de crise, minha ansiedade dispara. Fico com dores dos pés à cabeça. Tendões, articulações, pernas, braços, ombros… Tudo fica dolorido”, desabafa.
O que Fernanda tem é fibromialgia, uma síndrome crônica que provoca dor generalizada por todo o corpo. Além do desconforto físico constante, o cansaço extremo e a dificuldade de concentração também são sintomas dessa condição, que afeta principalmente mulheres entre 30 e 50 anos de idade. A fibromialgia não é uma dor passageira e não se resolve tomando um simples relaxante muscular. Ela é intermitente e impacta diretamente as atividades diárias da pessoa, podendo impossibilitar a realização de ações simples, como espremer uma laranja, até às mais complexas.
A síndrome não tem cura, mas tem tratamento. O cuidado consiste no uso de medicação aliado à prática de atividade física e acompanhamento multidisciplinar, com terapia assistida por psicólogo, fisioterapeuta e, em alguns casos, psiquiatra. No município do Rio de Janeiro, segundo informações da Prefeitura, o tratamento é oferecido gratuitamente nas Clínicas da Família, em um programa que inclui médicos, fisioterapeutas e psicólogos. O Super Centro Carioca de Saúde, na Zona Oeste, é a unidade de referência para esses cuidados.
Além disso, a Secretaria Municipal de Saúde (SMS) disponibiliza a Carteira de Identificação da Pessoa com Fibromialgia (CIPFIBRO). O documento tem como objetivo identificar o paciente diagnosticado com a doença, facilitando o atendimento preferencial em órgãos da administração pública e também em instituições privadas.
Já a nível estadual, a Secretaria de Estado de Saúde (SES-RJ) esclarece que, em casos específicos, pode haver encaminhamento do paciente para um médico reumatologista. Nessas situações, a pessoa é inserida no Sistema Estadual de Regulação (SER). De acordo com o órgão:
Segundo a Secretaria de Estado da Saúde do Rio de Janeiro:
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Em 2025, foram registrados 57.509 atendimentos ambulatoriais de fibromialgia no estado do Rio de Janeiro, com 9 internações;
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Em 2024, foram 98.837 atendimentos e 14 internações;
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E em 2023, houve 70.855 atendimentos e 10 internações.
A nota da SES-RJ ressalta, ainda, que “as notificações da doença não são consideradas obrigatórias por parte do Ministério da Saúde”.
Preconceito, validação e as iniciativas de apoio
Sancionada em 2025, mas em vigor desde no início deste ano, a Lei 15.176/2025 reconhece a fibromialgia como deficiência. No entanto, mesmo com a legislação a favor, um grande vilão a ser enfrentado é o preconceito, principalmente no ambiente de trabalho.
“Muitas vezes a gente precisa validar a nossa condição. Como as pessoas não enxergam a dor que estamos sentindo, acham que estamos fazendo corpo mole ou com preguiça. Não é nada disso. É dor mesmo”, relata Fernanda.
Kaká Freitas, representante da Associação dos Fibromiálgicos, Amigos e Parentes de Niterói (Fapnit), detalha que o número de pessoas com a síndrome fora do mercado de trabalho é grande. Para contornar essa realidade, a associação organiza grupos e atividades com parceiros para levar um pouco mais de confiança a quem convive com a doença.
“Trabalhamos em rede. Apesar de a Fapnit estar em Niterói, temos relação com o município do Rio e com pessoas de todo o estado através da RJ Fibromialgias e outras organizações. Isso ajuda muito, principalmente na parte jurídica e no acesso a medicamentos”, explica.
Fonte: Voz das Comunicações.





























