A fibromialgia é uma síndrome crônica caracterizada por dor musculoesquelética generalizada, frequentemente associada à fadiga, distúrbios do sono e alterações de humor, mas suas opções terapêuticas ainda são limitadas. É nesse cenário que a pesquisa do Programa de Pós-Graduação em Gerontologia da Escola de Artes, Ciências e Humanidades (EACH), conduzida no Hospital Universitário (HU), ambos da USP, busca ampliar as evidências sobre abordagens não farmacológicas para o manejo da condição.
A pesquisa acaba de avançar para uma nova fase e passa a incluir também homens entre os voluntários com diagnóstico de fibromialgia. A entrada de participantes do sexo masculino nesta nova etapa partiu da demanda espontânea observada ainda durante o estudo-piloto e busca verificar se os efeitos identificados na amostra feminina se repetem de forma consistente também entre os homens. “A inclusão de homens é fundamental para sabermos se esses resultados são generalizáveis. A fibromialgia afeta majoritariamente mulheres, mas está longe de ser exclusiva delas, e entender essa resposta terapêutica em ambos os sexos fortalece a robustez científica do estudo”, explica Beatriz A. Ozello Gutierrez, orientadora da pesquisa.
Podem participar da pesquisa homens e mulheres maiores de 18 anos com diagnóstico de fibromialgia. Interessados podem entrar em contato com Patricia pelo e-mail auriculofibro@gmail.com ou pelo telefone (11) 97425-7459.
O estudo segue o desenho experimental randomizado, controlado, duplo-cego e fatorial, com participantes distribuídos em diferentes grupos experimentais e acompanhados em três momentos: antes da intervenção, ao final de dez semanas de tratamento e em acompanhamento de seis meses após seu término. Os dados qualitativos e a análise completa por sexo ainda estão em processamento, à medida que a coleta segue em andamento no HU-USP.
Ampliação do público
A ampliação do público elegível ocorre após resultados parciais positivos observados na etapa em andamento do estudo, que investiga os efeitos da terapia com luz sobre os aspectos biopsicossociais de pessoas com a condição, indo além da dor física para também acompanhar o bem-estar subjetivo dos participantes.
O estudo investiga a aplicação de Frequência de Nogier, um dos parâmetros de modulação descritos pelo médico francês Paul Nogier no contexto da Auriculoterapia, veiculada por meio de estímulo luminoso.
Os dados preliminares foram obtidos em estudo-piloto conduzido exclusivamente com participantes do sexo feminino seguindo o mesmo delineamento experimental do estudo atual. Foram observadas reduções estatisticamente significativas na intensidade e interferência da dor, na catastrofização da dor e nos níveis de ansiedade, além de melhora da funcionalidade.
Um dos resultados mais expressivos foi a mudança na autopercepção de saúde das participantes: no início do estudo, 45,6% avaliavam sua saúde como ruim e apenas 10% como boa; ao final da intervenção, esse quadro se inverteu, com 40,2% relatando saúde boa e apenas 15,2% como ruim.
“Esses achados preliminares nos mostraram que o protocolo é viável e bem tolerado, e que os efeitos observados vão além da redução da dor, eles impactam a forma como as pessoas passam a perceber sua própria saúde”, afirma Larissa A. Bachir Polloni, fisioterapeuta e doutoranda responsável pelo estudo.
Depoimentos dos participantes
Além dos instrumentos clínicos tradicionais, o estudo incorpora a etapa qualitativa dedicada a investigar o bem-estar subjetivo de um subgrupo de participantes. As falas das participantes são classificadas segundo o modelo PERMA-V, do psicólogo Martin Seligman, referência da Psicologia Positiva, que estrutura o bem-estar humano em seis dimensões: emoções positivas, engajamento, relacionamentos, significado, realização e vitalidade.
A análise preliminar de frequência das palavras já indica tendências por dimensão. Nas emoções positivas, destacam-se termos como “esperança”, “gratidão” e “serenidade”. No engajamento, aparecem referências à retomada de atividades cotidianas, como cozinhar. Nos relacionamentos, a palavra “família” se sobressai, assim como “pessoa” e “social”. No significado, o termo “propósito” aparece com força, e, na realização, “conseguir” e “conquista” dominam as falas. Já na vitalidade, “energia”, “motivação” e “disposição” são as expressões mais recorrentes.
“A ideia é captar o que as escalas numéricas não alcançam, como as pessoas estão vivendo o dia a dia depois da intervenção, se retomaram atividades, relações e sentido de propósito”, explica a professora Beatriz.
Fonte: Jornal da USP.



























