Grupo de Apoio aos Pacientes Reumáticos no Brasil

Fibromialgia atinge entre 1% e 5% da população

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Dores musculares generalizadas pelo corpo com pontada e queimação, principalmente nas costas, peitos, nuca, região cervical, pélvica e pernas, que se intensificam com mudanças climáticas e emocionais, cansaço e disfunção do sono. Se você tem algum desses sintomas, pode estar com fibromialgia. Hoje, data conhecida como o dia da Sensibilização da Fibromialgia. pesquisas internacionais apontam que entre 1% e 5% da população em geral é atingida pela enfermidade.

A fibromialgia é uma doença reumática em que não se observa inflamação das articulações. Distingue-se por dores difusas pelo corpo, mal definidas e associadas à fadiga e distúrbios do sono. Caracteristicamente, não apresenta alterações nos exames laboratoriais.

Nos serviços de clínica médica, essa frequência é em torno de 5 %, e nos pacientes hospitalizados, 7,5%. Nas clínicas reumatológicas, por sua vez, essa síndrome é detectada entre 14% dos atendimentos. Já no Brasil, ainda não existe uma pesquisa a este respeito, segundo especialista em dor e neurocirurgião funcional, Claudio Fernandes Corrêa.

Mais frequente no sexo feminino, que corresponde a 80% dos casos, a idade de início varia entre 29 e 37 anos, sendo que entre 34 e 57 anos, o diagnóstico mais preciso. Os sintomas tendem a instalar-se lentamente na vida adulta, no entanto, 25% dos casos apresentam os sintomas desde a infância, com tendência de ocorrer em mulheres de uma mesma família.

Depois de vários exames com resultados negativos, a consultora ótica Luiza Setsuko Yde, 51 anos, descobriu a fibromialgia em 2000. Na época, o médico reumatologista procurado disse que o diagnóstico teria que ser bem analisado, pois poderia ser a SFC (Síndrome da Fadiga Crônica). “Os sintomas ajudaram a definir o que eu tinha, a cada dia que passava alterava, sentia dores nas articulações, dor de estômago, sensibilidade na pele e cefaleia. As dores eram frequentes por longos períodos e só melhoraram com o tratamento contínuo de anti-nflamatórios e até mesmo com antidepressivos”, relata.

A mãe de Luiza, Elisa Kiyomura Yde, 77, também sofre com a síndrome. “Muitos dizem que pode ser genético, mas eu particularmente não acredito, minha mãe também tem, mas creio que o motivo seja o estresse”, comenta Luiza.

Para o professor de Reumatologia da FMABC (Faculdade de Medicina do ABC), José Carlos Mansur Szajubok, a causa da doença é desconhecida. “A cura não existe por não se saber a origem do problema. O que se conhece é que pessoas estressadas e ansiosas têm mais predisposição a desenvolvê-la”, explica.

Preconceito

“A tristeza é muito grande, pois parece que ninguém acredita o quanto sofremos com essa doença. É uma dor quase insuportável e nos faz sentir sozinhos”, descreve a administradora Maria Lucia Camargo, 32, que diz tentar levar uma vida normal e muitas vezes, passa noites em claro com dores por todo o corpo.

Coordenador da Comissão de Dor, Fibromialgia e Outras Síndromes Dolorosas de Partes Moles, da Sociedade Brasileira de Reumatologia, Marcelo Cruz Rezende, relata a dificuldade encontrada pelos fibromiálgicos. “Como a doença não é uma lesão visível, um braço quebrado, por exemplo, as pessoas têm tendência de achar que a dor é exagero.”

Tratamento

Os tratamentos com medicamentos contra a fibromialgia devem ocorrer em conjunto com a prática de exercícios físicos, do contrário, a terapia não terá sucesso. Podem-se usar analgésicos, anti-inflamatórios (pelo efeito analgésico) e antidepressivos para modular a resposta à dor. Se o paciente necessitar de doses altas de antidepressivos, deve-se revisar o diagnóstico.

O médico neurocirurgião funcional Claudio Fernandes Corrêa explica que uma vez que a fibromialgia não tem cura, o tratamento visa melhorar a qualidade de vida do paciente, reduzindo as crises de dor. “É importante o acompanhamento multiprofissional e multidisciplinar, composto por medicamentos, terapias de reabilitação física (fisioterapia e outras atividades afins), terapia comportamental e, em última instância, procedimentos cirúrgicos minimamente invasivos, para inserção de bombas de morfina no corpo, cujas doses são administradas pelo paciente, conforme a prescrição e monitoração do médico”.

Fonte: Dgabc

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